Abro o meu coração num grito e ouço o eco da noite
Deslumbrando no cair da chuva fina, sorrateira
Canto pros mares de cá das delícias que recebo de lá
Acordando os passarinhos num convite a fazer um coral
Pétalas de flores caem e o chão já é um jardim
Fumegante é a cor dos olhares profundos, fluentes da lua
Doce se faz a caminhada em campos de lírios
Sobe da terra uma fumaça clara, prenúncio de chegada
E eu aqui, sentado sobre a pedra, vejo o nascer do sol.
Amor, amor, amor... Esta noite linda desejo entregar ao Poeta, Tocar seu coração desponta como minha meta. Deitar-me no corpo da tua voz, e os gemidos A nossa seresta. Sou tocado pela forma carinhosa de verbalizar Nutro dos teus poemas, sofro a dor, curto o mar Curta, é esta veste que nos reveste, sem se cansar! Nos curta amor... No enveneno do poema tão nutrido! As águas da tarde celebram uma canção de amor Correm por entre mil córregos. Já não sou só Riachos murmuram, cisnes dançam nos espelhos de água dos lagos, As cascatas abraçam as pedras, os musgos sorriem, E eu morro de sede de amor Peixes que passam e olham dentro do espelho dos seus olhos Enquanto borbulham as bocas na construção de um mergulho Peixe sou sereia! Canto o amor à beira mar, Meu hálito borbulha no ar. ...E por certo o cheiro do teu ar encanto há de eu tragar... Ou me trague a garganta do mar... No amor não há troca, é o fruto no jardim No amor não há volta, é um alto mar sem fim Sergio Dittencourt, Carmen Regina & Vera Lúcia Bezerra
Teu corpo me chama Nas tardes de sol É a voz que reclama Um porto sem nau
É o sol, é a lua É a água com sal É o mar que ondula Varanda e quintal É a casa da gente É a estrela cadente A noite a brilhar Um poeta a cantar Minha boca na sua Um beijo molhado Corações pulgentes Os corpos são quentes Desejo de amar
A saudade da poesia bateu bem profundo Lançando nas veias a chama que chama Haja poesia! Haja corpo de verso despindo as falas mansas Haja sentidos para as palavras Quentes e sôfregas que cravas no peito do poeta; Haja lugar! Montes, grutas, altar... Haja papel, tela, pergaminho... Ah! Haja espaço em seio...
Meus redemoinhos correndo sobre essa tela, Apagando o inverno pra poesia deitar... E o vulcão do poeta ressuscitar Letra a letra, verso a verso, chamas, O peito do poeta aberto, Poesia na ponta da língua... ... Escorre, a aquarela vai virando rosa As pinceladas o agonizam...
À flor da pele, Despertam-lhe as ninfas ardentes, Macias e fogosas, Canteiros delírios cercados de rosas... Entre os pistilos e pétalas, As almas se transportam! Os corpos se adornam de pólen! A poesia poliniza com o teu beijo... E o ventre engorda...
Sergio Bittencourt & Carmen Regina & Vera Lúcia Bezerra
Todos querem ser sempre amados Eis a necessidade suprema do ser Ao definirem o tema, uns ficam engasgados gaguejando ao procurar o que dizer Para uns surge uma sensação estranha Para outros um interesse profundo Há entusiasmo por algo sem valor Atualmente se perdeu o conceito do amor
Qualquer coisa que explique vai ser aceito Uns procuram amor em lugares errados Precisam dele como algo que bate no peito Querem encontrá-lo, mas onde serão amados? Como saberão, enfim, se é perfeito?
O amor mostra bondade, não sendo excêntrico Ele atende necessidades dos dias que passam Não há razão para nos acharmos mal amados. Só se define amor estando arraigado nele.
Seu amor efêmero ficará á deriva
Vagando, num mundo que é só seu
Sem ancoradouro, singrando em sentimentos vis
Ou cumprindo um dever, sem harmonia
distante da mais plena e perfeita alegria.
Tome agora o propósito e esqueça o seu "eu"
Viva a verdade do amor
Solto esta rosa porque almeja voar O desbroto foi forte e alcançou o mar Uma torrente de desejos desaguou Causando acidentes, fazendo-se flor Atiçou caules, brotos e pétalas Banhou-se em chuva de lágrimas E arrancou feridas escondidas Trazendo assim, a lucidez da luz.