segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Manhã
Deslumbramento
Abro o meu coração num grito e ouço o eco da noite
Deslumbrando no cair da chuva fina, sorrateira
Canto pros mares de cá das delícias que recebo de lá
Acordando os passarinhos num convite a fazer um coral
Pétalas de flores caem e o chão já é um jardim
Fumegante é a cor dos olhares profundos, fluentes da lua
Doce se faz a caminhada em campos de lírios
Sobe da terra uma fumaça clara, prenúncio de chegada
E eu aqui, sentado sobre a pedra, vejo o nascer do sol.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Amor, amor, amor...
Esta noite linda desejo entregar ao Poeta,
Tocar seu coração desponta como minha meta.
Deitar-me no corpo da tua voz, e os gemidos
A nossa seresta.
Sou tocado pela forma carinhosa de verbalizar
Nutro dos teus poemas, sofro a dor, curto o mar
Curta, é esta veste que nos reveste, sem se cansar!
Nos curta amor... No enveneno do poema tão nutrido!
As águas da tarde celebram uma canção de amor
Correm por entre mil córregos. Já não sou só
Riachos murmuram, cisnes dançam nos espelhos de água dos lagos,
As cascatas abraçam as pedras, os musgos sorriem,
E eu morro de sede de amor
Peixes que passam e olham dentro do espelho dos seus olhos
Enquanto borbulham as bocas na construção de um mergulho
Peixe sou sereia! Canto o amor à beira mar,
Meu hálito borbulha no ar.
...E por certo o cheiro do teu ar encanto há de eu tragar...
Ou me trague a garganta do mar...
No amor não há troca, é o fruto no jardim
No amor não há volta, é um alto mar sem fim
Sergio Dittencourt, Carmen Regina & Vera Lúcia Bezerra
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
O corpo e o mar

Teu corpo me chama
Nas tardes de sol
É a voz que reclama
Um porto sem nau
É o sol, é a lua
É a água com sal
É o mar que ondula
Varanda e quintal
É a casa da gente
É a estrela cadente
A noite a brilhar
Um poeta a cantar
Minha boca na sua
Um beijo molhado
Corações pulgentes
Os corpos são quentes
Desejo de amar
Sergio e Ary Peçanha
Haja poesia!

A saudade da poesia bateu bem profundo
Lançando nas veias a chama que chama
Haja poesia!
Haja corpo de verso despindo as falas mansas
Haja sentidos para as palavras
Quentes e sôfregas que cravas no peito do poeta;
Haja lugar! Montes, grutas, altar...
Haja papel, tela, pergaminho...
Ah! Haja espaço em seio...
Meus redemoinhos correndo sobre essa tela,
Apagando o inverno pra poesia deitar...
E o vulcão do poeta ressuscitar
Letra a letra, verso a verso, chamas,
O peito do poeta aberto,
Poesia na ponta da língua...
... Escorre, a aquarela vai virando rosa
As pinceladas o agonizam...
À flor da pele,
Despertam-lhe as ninfas ardentes,
Macias e fogosas,
Canteiros delírios cercados de rosas...
Entre os pistilos e pétalas,
As almas se transportam!
Os corpos se adornam de pólen!
A poesia poliniza com o teu beijo...
E o ventre engorda...
Sergio Bittencourt & Carmen Regina & Vera Lúcia Bezerra
O verdadeiro amor

Todos querem ser sempre amados
Eis a necessidade suprema do ser
Ao definirem o tema, uns ficam engasgados
gaguejando ao procurar o que dizer
Para uns surge uma sensação estranha
Para outros um interesse profundo
Há entusiasmo por algo sem valor
Atualmente se perdeu o conceito do amor
Qualquer coisa que explique vai ser aceito
Uns procuram amor em lugares errados
Precisam dele como algo que bate no peito
Querem encontrá-lo, mas onde serão amados?
Como saberão, enfim, se é perfeito?
O amor mostra bondade, não sendo excêntrico
Ele atende necessidades dos dias que passam
Não há razão para nos acharmos mal amados.
Só se define amor estando arraigado nele.
Seu amor efêmero ficará á deriva
Vagando, num mundo que é só seu
Sem ancoradouro, singrando em sentimentos vis
Ou cumprindo um dever, sem harmonia
distante da mais plena e perfeita alegria.
Tome agora o propósito e esqueça o seu "eu"
Viva a verdade do amor
Deixando-o ancorado em Deus.
LUA E ESTRELA
A rosa e a luz
Solto esta rosa porque almeja voar
O desbroto foi forte e alcançou o mar
Uma torrente de desejos desaguou
Causando acidentes, fazendo-se flor
Atiçou caules, brotos e pétalas
Banhou-se em chuva de lágrimas
E arrancou feridas escondidas
Trazendo assim, a lucidez da luz.